De seguida, senti à volta da marquesa uma luz branca, sem sombra, que vinha de cima. Eram três seres com os olhos grandes e cheios de luz, e uma expressão completamente neutra.
Olharam para mim por um momento que pareceu conter muito mais do que os meus olhos conseguiam decifrar.
Não havia conversa entre eles; comunicavam de outra forma. Foi uma confusão absoluta, uma desorientação como quando a realidade não obedece às regras que nos ensinaram.
No entanto, o meu corpo estava ali, passivo, e os três seres continuavam o trabalho com muita precisão, concentrados no meu rosto devido ao problema que eu tinha.
Senti como se tivessem despertado em mim a capacidade de sentir pequenos movimentos musculares na testa, no queixo, nos lábios ou até nos dedos e braços, à medida que a energia era devolvida ao seu estado de equilíbrio, pois o meu corpo estava a sofrer.
Agora, o meu corpo parece diferente: sem dores físicas e mais sensível de uma forma que antes não existia. É como se algo tivesse sido alterado, reestruturado e tocado em níveis que a medicina convencional nem saberia onde procurar.
Neste processo de equilíbrio e cura, trata-se sobretudo de uma conquista da individualidade e da autoconsciência; em suma, de saber quem se é e qual a verdade.

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